A cidade turística búlgara de Sozopol, antiga pólis grega de Apolônia Pôntica no Mar Negro, tem pretendido reconstruir uma grande estátua do deus Apolo, símbolo da cidade durante vários séculos na Antiguidade.
Arqueólogos descobriram nos anos 2010 um templo perdido de Apolo Iatros (Apolo, o Curador), que era o padroeiro da cidade de Apolônia Pôntica foi fundada por colonos milesianos (isto é, da cidade de Mileto na Anatólia, atual Turquia) no século VII AEC e tornou-se muito rica e próspera, transformando-se em um importante centro comercial que conectava as cidades da Grécia antiga à Trácia, logo se tornando uma das colônias gregas antigas mais ricas de toda a região do Mar Negro. Foi lá que outrora se erguia a famosa estátua de bronze de 13 metros de Apolo, a divindade padroeira de Apolônia Pôntica ("Apolônia do Ponto Euxino" [atualmente chamdo Mar Negro]), inicialmente chamada Ántheia ("Florida"), depois renomeada Apolônia por causa do templo dedicado ao deus.
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| Estátua de Apolo Iatros (Curador) de Boris Borisov (2011) |
Alguns pesquisadores acreditam que a estátua foi erguida pela primeira vez na pequena ilha de São Quirico, enquanto outros defendem que a conhecida estátua de Apolo fazia parte de um complexo maior construído na ilha de São Ivan (São João) e dedicado ao padroeiro da cidade.
Reconstrução do Colosso de Apolo
A iniciativa para reconstruir a estátua de 13 metros de Apolo foi inicialmente empreendida em 2011 pelo município de Sozopol, mas ainda não se concretizou.
Mais tarde, em 2016 ela foi ressuscitada pelo falecido político Bozhidar Dimitrov, então diretor do Museu Nacional de História da Bulgária em Sófia, em meio à notícia de que a Grécia planejava erguer uma réplica cinco vezes maior que a original do Colosso de Rodes (o deus-sol Hélio), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
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| Estátua de Apolo Iatros (Curador) de Boris Borisov (2011) |
O Colosso de Rodes tinha cerca de 30 metros de altura (o projeto grego então anunciado previa a reconstrução com uma réplica de 135 metros de altura, até hoje também não iniciada) e estima-se que tenha existido por 54 anos – de 280 até 226 AEC, quando foi derrubado por um forte terremoto. Após seu colapso, enormes pedaços da estátua permaneceram ao longo do porto de Rodes por séculos. No século VII EC, os árabes conquistaram Rodes, partiram os restos do Colosso em pedaços menores e os venderam como sucata.
O Colosso de Rodes foi feito de placas de bronze fixadas a uma estrutura de ferro, enquanto o Colosso de Apolônia, a atual Sozopol, foi totalmente fundido em bronze e permaneceu em seu local original por mais de 400 anos.
Dimitrov destacou que, de acordo com os cronistas da Antiguidade, a construção da estátua de Apolo Curador “custou 400 talentos [de ouro]”. Ele acrescentou que “isso era aproximadamente o equivalente ao orçamento anual da Liga de Delos, dominada por Atenas e que incluía cerca de 200 cidades-estado”, formada em 478 AEC, antes das Guerras do Peloponeso.
“Esse custo do Colosso de Sozopol demonstra a enorme riqueza financeira e econômica da cidade-estado. Foi nessa época que o Partenon, em Atenas, foi construído (entre 447 e 438 AEC), e a estátua da padroeira da cidade, a deusa Atena, tinha apenas 5,6 metros de altura”, afirmou Dimitrov.
Dimitrov também afirmou que os arqueólogos e historiadores búlgaros sabem qual era a aparência do Colosso de Apolônia: a estátua representava "um jovem atlético nu, em pé, segurando uma muda de oliveira".
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| Moedas de Apolônia Pôntica representando a estátua de 13 metros de Apolo Iatros (o Curador) |
Dimitrov lembrou que, em 2011, o escultor búlgaro Boris Borisov havia criado duas réplicas em bronze em tamanho real da antiga estátua (cada uma com 1,6 metros de altura, a mesma que está decorando este artigo). Uma delas estava guardada no gabinete do então prefeito de Sozopol, Panayot Reyzi [não sei se ainda permanece lá], e a outra no museu particular chamado "Torre Sul", de propriedade do empresário de Sozopol, Kiril Arnautski.
Dimitrov afirmou que, embora Sozopol “não tenha problemas” em financiar a reconstrução da estátua de Apolo, a iniciativa foi criticada pela Igreja Ortodoxa Búlgara. O Metropolita de Sliven, Yoanikiy (falecido em 2024), argumentou que “a restauração da estátua ressuscitará o paganismo em Sozopol e diferentes tipos de castigos divinos recairão sobre a cidade e seus habitantes”.
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| Fotomontagem com o Colosso de Apolo Iatros (Curador) na ilha de São Quírico em Sozopol, Bulgaria |
Infelizmente Bozhidar Dimitrov faleceu em 2018 sem ver o projeto realizado, que, até o momento, segue sem atualizações a respeito.
Fontes: apolloniapost | Archaeology in Bulgaria
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